Escola de Samba Unidos do Brasil

Acho bem engraçado quando ouço que o Brasil é o país do Carnaval, dando a impressão para quem não conhece a História, de que essa festa é coisa de brasileiros.

Portanto, vamos recordar.

O Carnaval nasceu na Antiguidade, era comemorado na Mesopotâmia (região onde hoje estão os países Síria, Iraque e Turquia), na Grécia e em Roma.

Nas festas que deram origem ao Carnaval a grande característica era a transgressão.

Por exemplo, na Babilônia, havia uma festa em que prisioneiros assumiam o status de nobre, alimentando-se como se fosse um deles, vestindo nobres roupas e eu até já li, embora não tenha acreditado, que chegavam ao cúmulo de dormir com as nobres esposas. Fora o lamentável fato da comprovação de que mulher naquele tempo não valia grande coisa, a cereja do bolo de tanta decadência era que, ao final da “festa” o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado.

Havia outro tipo de comemoração que pode ter dado origem ao carnaval. Por ocasião do Ano Novo, ainda na Mesopotâmia, no templo de Marduk, o rei abria mão de seus predicados de Poder, era surrado em frente à estátua do deus Marduk, para demonstrar sua submissão aos deuses, e depois era reconduzido ao trono.

Assim, nestas duas festas que, acredita-se, foram algumas das que deram origem ao Carnaval, a tônica era a transgressão, a subversão dos papéis.

Continuamos a ver transgressão no Carnaval de hoje. Só que, infelizmente, nem sempre direcionada à festa e à alegria, porque, mal acaba o Carnaval, nossos monumentos estão destruídos, nossas ruas imundas, e a barbárie e desordem deixam rastros por todo lugar.

Tão bom seria que a grande característica dessa festa fosse a beleza, a criatividade das fantasias e dos blocos, como acontece nas escolas de samba, poucas vezes vi tanta organização em nosso país como num desfile. Com poucos ensaios, as pessoas se organizam, todos sabem seu posto, ninguém quer tirar o lugar do outro porque todos tem um objetivo comum – realizar o melhor possível, para que sua Escola seja a campeã.

Ah, se o Brasil fosse a Escola de Samba Unidos do Brasil, em que cada um fizesse o seu papel com dedicação e esmero. E que não existissem diferenças entre pobres e ricos, negros e brancos, e qualquer outra diferença que por acaso pudesse existir, servisse apenas para tornar o desfile mais bonito.

Que cada um guardasse sua melhor energia e a sua melhor evolução para que não houvesse atrasos neste desfilar, e que o tempo fosse aproveitado no sentido de nossa Escola ser Campeã.

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