Jovelhice

Fiz aniversário na semana passada. Muita festa, muitas emoções – os amigos certos que nunca esquecem, filhos, netos, parentes, um tufão de afeto.

Em meio a este vendaval de diferentes emoções as lembranças de fatos inesquecíveis – o amor, as dificuldades, a saudade dos que já não estão mais por aqui.

E a reflexão.

A verdade é que, um dia, eu tive medo de envelhecer. A velhice, nos meus quarenta anos, era um fantasma que durante bom tempo me assombrou. Vieram os cinquenta, os sessenta, e nessa altura eu percebi que envelhecer não dói. Claro que não estou me referindo aqui a dores físicas, até porque coluna e joelho me doeram muito antes dos sessenta. O joelho, lesado em razão de um tombo feio, daqueles que o barulho do osso batendo no chão faz eco. E a coluna, esta me decretou guerra desde os trinta, mas quase posso dizer que venci a guerra, porque ao primeiro sinal de “batalha à vista”, armo minhas defesas e tome hidroginástica, e RPG, fisio, meditação, e tudo que eu puder fazer para relaxar mente, corpo, músculos e alma de modo que, sabendo-se vencida, minha coluninha desavergonhada se coloque em seu devido lugar.

Sem dor física, o Paraíso.

Isso mesmo, a constatação de que, embora eu ache hipocrisia chamar a velhice de “Melhor Idade”, admito que tem lá seus encantos.

Não, não ria, estou falando sério. Assisti uma Palestra da Jane Fonda que está rolando no Youtube, onde ela diz que a velhice é o Terceiro Tempo. O primeiro seria a Infância e a Juventude, pouca responsabilidade no construir. O segundo tempo, a idade adulta, a do construir, do conquistar, do lutar. E depois, o Terceiro Tempo – a Velhice.

Concordo, para mim a velhice é o momento da vida em que você pode viver sem o peso da responsabilidade de ter que construir um futuro, lutar por posições, por status, por dinheiro.

Na velhice você pode usufruir da Liberdade, você pode até sair por aí dizendo verdades…

Na velhice você pode se dar ao desfrute de fazer… NADA. Melhor ainda, de fazer o que escolhe, coisa que num país de diferenças tão grandes como o nosso quase nunca é possível, ao longo da vida você vai mesmo se orientando pelo “andar da carruagem”.

Após os sessenta, vem o tempo de curtir a Natureza, o bom programa cultural, o amor, a família, os amigos, a praia, o campo, e o que mais você conseguir fazer. Ah, mas aí está a palavra-chave: conseguir.

Muitos não conseguem por falta de $, e aí tem que partir para a criatividade – reunir amigos, procurar programas promocionais, programas menos caros, porque são raros mas existem.

Só que no conseguir existe outro tipo de pessoa – os que não conseguem porque não têm o desejo de sair da casca, e se entregam ao desânimo, ao medo, já vi até gente dizer “Ah, isso não é programa pra velho”… e a pessoa tem “apenas” (gostou do apenas?) sessenta e dois anos. Ora, se lhe acontecer viver mais dez ou quinze anos – hoje isso é plenamente possível, o que essa pessoa vai fazer do resto do tempo que lhe resta, ficar cultivando seu medo, sua insegurança, seu preconceito contra a velhice?

Tô fora, e convoco as pessoas “jovelhas” como eu, para irmos à luta. Vamos viajar, vamos ajudar, vamos compartilhar nossa experiência com os mais jovens. E vamos nos fortalecer na certeza de que a experiência que acumulamos é a nossa riqueza.

Vamos fazer uso dela, utilizando-a no servir – ao outro e a nós mesmos. Isso é viver o Paraíso.

1 Comment

  • Daisy disse:

    >> Eliza Makino > Ameeeeiiiiiii

    >> Sandra Loureiro > Gostei muito, Daisy…”A experiência que acumulamos é a nossa maior riqueza!”👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻Concordo plenamente com você! Você me estimulou a cuidar da minha tão “sobrecarregadinha” coluna!

    >> Vera Lucia Loureiro > Muito legal! Legítimo e verdadeiro! Parabéns!👏👏👏👏

    >> Vitória Bonaldi > E que texto lindo, amei.e vou compartilhar com minhas amigas e clientes “jovelhas”

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