O Amor Liberta

“Diga-me com quem anda e eu direi quem você é.”

Quando eu, adolescente, ouvia isto de minha mãe sentia até arrepios de revolta… Ora vejam só, minha mãe pensa que eu vou virar um robozinho, um fantochinho que vai sair imitando o que o mundo quiser que eu imite”.

Santa ingênua adolescência. Maravilhosa adolescência.

Sim, porque nessa fase da vida nos julgamos absolutos, inigualáveis.

O mundo todo está errado, mas nós… Ah, cada um de nós foi rainha ou rei da cocada, a última bolacha do pacote, a pessoa da qual ninguém poderia apontar nenhum erro ou defeito, nada que nos fizesse menos do que nós achávamos que éramos.

Bom, mas o Tempo é passageiro, e junto com a sua efemeridade carrega aqueles comportamentos, digamos, sazonais.

Pois é, a “síndrome do sangue azul” (que cochicha em nossos ouvidos adolescentes que somos soberanos absolutos em todas as coisas) com o tempo se transforma em “síndrome do caí na real”. Quer dizer, para a maioria das pessoas acontece assim. Entretanto, alguns continuam – em plena idade madura e até mesmo na terceira – esperneando , gritando e “se achando”. Com isso, perdem o encanto do momento e desqualificam o que viveram na adolescência. Pois é, cada momento tem o seu encanto peculiar, e quem não consegue viver esta peculiaridade acaba vivendo a frustração e a amargura, pelo simples fato que em algum lugar da sua consciência existe o registro de quais seriam as atitudes que lhe trariam a realização, e a calma certeza de que está se apropriando daquele momento com realidade, e não sublimando ou falseando algum sentimento não-resolvido.

Calma…, Paz…, é isso o que conseguimos quando nos apropriamos de nós mesmos e deixamos de ser o que alguém espera que sejamos, ou pressiona para que nos tornemos. Pela simples razão de que estamos EXISTINDO e não tentando viabilizar um discurso outro que não o das nossas próprias convicções.

E é isto que eu desejo a todos nós neste momento tão grave e sério da nossa História.
Que tenhamos c a l m a! C A L M A!

E desejo também muita sinceridade, uma sinceridade que não ameace e que não destrua – especialmente amizades às quais dedicamos décadas para construir. O Amor liberta e libertar o outro é admitir a divergência entre conceitos, é respeitar que tenha ideia própria.

 

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