Um País de Maravilhas

Gosto de ver anúncios. Gosto. Aprecio a inteligência, o humor, a criatividade, o novo. E ando bem surpresa como, diante da Pandemia, a característica da Propaganda tem mudado.

Me assusta um pouco nas técnicas de propaganda, a manipulação do desejo, mas entendo; quer dizer, aceito que faz parte do processo de conquistar o cliente.

Faz parte… engraçado quando percebo pessoas e ações que se empenham no esforço de que tudo faça parte de todos, porque, na verdade, tudo já faz parte de tudo, com esforço ou sem esforço, com desejo ou sem desejo. Os produtos vendidos são adquiríveis (ih, existe essa palavra? Bom, se não existe passa a existir agora, tá?) apenas por uma ínfima parcela dos milhões de pessoas, mas milhões são gastos com a produção dos anúncios.

Esta é a grande contradição. E aí, meu pensamento voa para a política. Quer exemplo melhor que esse? Políticos falam (e fazem) para alguns, mas não falam (e fazem) para o todo.

E aí o jogo vira… E nada faz parte de nada. Só vemos absurdos, que dariam até bons títulos de filmes do tipo: O Encontro do Impossível, A Fusão sem Limites, etc.

Pensassem um pouquinho mais, veriam que com o impossível não se encontra, se esbarra e no esbarrão não existe fusão.

No esbarrão não existe limite, porque cada um dos esbarrados está muito ocupado consigo mesmo, preocupado em não perder o equilíbrio e cair. Neste caso não existe fusão.

Fusão é aliança, união; não existe quando apenas se esbarra. Fusão é derretimento pelo calor e esse derretimento é como uma cola, que gruda pessoas, ideias, sentimentos.

No esbarrão mantemos a frieza, para não nos molharmos com o suor do outro; medo de contágios, talvez.

Quando existe o Encontro, existe um lugar, um ponto em que se quer chegar, existe um plano. Ninguém encontra nada sem ter uma visão de onde se quer chegar. Fora isso, é o esbarrão.

Para mim, esta é a causa principal e essencial do que estamos assistindo agora, na política brasileira. Pensando bem, acho que tem sido a tônica no modo brasileiro de fazer política. Ou, se preferirem, de fazer politicagem.

Assim seguimos… numa estrada em que, por causa da pandemia, não se sabe ao certo aonde se vai chegar. Mas só chegarão a um lugar razoavelmente decente os que souberem aonde querem chegar. Só chegarão a algum destino melhorzinho os que estão no Encontro, os que estão por aí numa falsa solidariedade apenas porque se esbarraram no caminho, esses não têm lugar no destino que já é incerto.

Lewis Carrol, autor de Alice no País das Maravilhas (juro que não escolhi esse título de livro por ironia), mas voltando ao assunto, ele disse “Se você não sabe onde quer ir, qualquer caminho serve”.

E assim seguimos nós, povo brasileiro, num caminho errante, às vezes certo, às vezes errado, mas de qualquer forma um caminho que não foi escolhido com visão no futuro, mas apenas casuisticamente.

Por que? Porque antes, as pessoas não se olharam para escolher, aceitaram estar juntos por razões outras que não a convicção, quer dizer, não se encontraram – se esbarraram.

A política bonita, agregadora de valores e de progresso, seria aquela em que existisse a fusão nuclear, quando núcleos leves reagem para formar outro mais pesado, mais consistente, baseado em ideias e propósitos.

Ah, meus caros, só que esse tipo de política requer intenções verdadeiras, não tem objetivos ocultos, e demanda grande desprendimento de energia para construir.

Incrível como pessoas inteligentíssimas que vemos na política, aparentemente bem-intencionadas, ao longo do tempo demonstram que, apesar de todas as qualidades que possuem, na verdade são uns tolos. São estrelas que não reconhecem qual é a sua verdadeira constelação e entram numa esteira qualquer de poeira cósmica. Resultado: viram meteoritos sem a menor importância.

Só os tolos desperdiçam energia em esbarrões. Só quem não tem talento.

Ah! E a quem possa interessar: o verdadeiro talento não tem limite! Descobre caminhos, tem visão de futuro, e muda o seu destino com atenção e sabedoria.

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