Verdade? Até quando?

Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncioe eis que a verdade se me revela”.

A frase parece sem sentido, mas quando você souber que o autor foi Einstein logo vai encontrar um sentido para ela.

Na verdade, nunca tive conhecimento de alguma reflexão dele que eu achasse sem sentido. Algumas até foram bizarras para a época, como, por exemplo: “Se a princípio a ideia não é absurda, não há esperança para ela”, ou “O primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma”.

Pois é, de certa forma eram bizarras.

Como todo gênio foi incompreendido pelos seus contemporâneos. Só que a verdadeira genialidade um dia explode, rompe as muralhas do saber, da lógica, e muitas vezes até do poder. Aí passa a ser aplaudida, admirada.

Quando a genialidade é verdadeira, os conceitos são atemporais, é o que vemos agora. As reflexões de Einstein são exatas para o tempo que vivemos, em que não mais existe verdade absoluta, em que os conceitos mudam numa velocidade inimaginável até poucos anos atrás.

O que era verdade ontem talvez não o seja mais hoje. E isso vale para praticamente toda área do conhecimento e da atividade humana.

Roger Penrose, Reinhard Genzel e Andrea Ghez, em sua pesquisa sobre o “buraco negro”, que mereceu o Prêmio Nobel de Física, confirmam isso, quando Andrea Ghez respondendo a uma pergunta sobre o que existe dentro do buraco negro, respondeu: “Não temos nenhuma ideia do que existe por lá – os buracos negros são o COLAPSO das leis da Física”. Uma resposta humilde e poderosa.

A Ciência levou um choque. Obviamente estou me referindo aos cientistas. Se os próprios sentiram o impacto da afirmativa, imaginem o que sentimos nós, que nos assumimos como leigos totais e até mesmo àqueles que um dia estudaram ciência e que ainda hoje se julgam cientistas, mas que, “na real”, como se diz atualmente, estão completamente out do que representa hoje a ciência. Hoje sabemos que quem realmente sabe, confessa que não sabe, que ninguém mais detém o poder do conhecimento, como fez a laureada física detentora do Nobel 2020.

Bill Gates foi, a meu ver, o principal responsável pela pulverização do poder “enciclopédico”, quando criou em 1975 a Microsoft e estabeleceu como meta que, que num futuro próximo todos teriam sua própria possibilidade de acesso à informação e ao conhecimento, porque teriam seu próprio computador – o PC – Personal Computer.

A partir daí o movimento que começou lá atrás, desde a minissaia e a pílula, retomou folego e… pernas pra que te quero… Resultado: padrões foram substituídos, em praticamente todas as áreas do conhecimento e do comportamento humano.

Hoje parece que existe uma área comum entre a verdade e a mentira, onde a verdade ainda vale, mas onde a mentira já está se insinuando, porque traz nova verdade.

E não foi só na Física que se deu o choque, cada vez mais nos deparamos, nas diversas situações, com o dilema: será verdade? E, se for, até quando?

Um dia, muitos anos atrás, ouvi que “nada é mais permanente que a mudança”. Verdade, mas… até quando?

# Calma aí, e se adapte ao novo normal.
# Porque a vacina está chegando. Verdade? Sei lá, me diga você.

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