Vida

Abri a gaveta da geladeira onde guardo legumes e fiquei surpresa: ao abrir o pacote de batata doce, lá estava ela, uma delas, olhando para mim, com olhar pedinte, exibindo suas raízes.

Peguei a batata para lavá-la e cozinhar, mas não consegui. Esta quer viver, não se pode acabar assim com a vida, não está em mim esse ato, pensei.

Meu espirito crítico logo se manifestou: Bobagem, Daisy, que frescura agora ficar com peninha da batata. De uma batata?

A princípio me pareceu até pieguice, mas sei-lá-o-que foi mais forte do que o meu espírito crítico. Respirei fundo, escolhi um vaso, e fiz o plantio. Em quinze dias ela está como se apresenta na foto – exuberante, parece me agradecer por eu ter percebido o seu desejo de existir. Hoje enfeita minha sala e minha vida.

E fico de cá pensando como o espirito de sobrevivência é soberano, forte, como grita em nossos ouvidos. E fico sem entender como alguém pode não notar isto vindo do outro se pode ser notado numa simples batata. Como alguém pode sair pisando em pessoas, sem se dar conta que estão prejudicando, destruindo ilusões, destruindo sonhos, destruindo.

A comparação pode parecer meio ridícula, mas foi forte para mim, porque no momento em que “permiti ” que a vida acontecesse, senti uma grande alegria em estar viva, eu também estar viva. A exuberância e beleza que esse vegetal me oferece hoje servem para me mostrar como podemos fazer pelo outro, seja esse outro quem for.

Se até um singelo vegetal responde ao carinho e valorização que alguém lhe destinou, as pessoas que se sentem valorizadas, apoiadas, amadas respondem com muito mais clareza.

Neste caso, a imagem não tem como função valorizar o texto, a imagem é o próprio texto.

Por isso, vou encerrando por aqui, e faço a vocês, leitores, um pedido: Olhem com atenção para os lados, para o que lhes vai adiante e o que lhes está próximo: pode haver alguma singela “batata” pedindo que lhe respeite o direito de viver.

Se identificar essa situação em sua vida, acolha, facilite, e vai ter a imensa alegria que estou tendo agora.

Mesmo nos tempos difíceis que estamos vivendo agora e até por causa dessas dificuldades, talvez seja a época ideal para despertarmos a capacidade de reconhecer a vida onde quer que ela se manifeste.

Compartilho a beleza da minha planta com vocês, e espero que sintam o mesmo que senti.

# Celebre a vida, mas vá com calma, porque o coisa ainda está por aí. Em alguns países a segunda onda veio pesada.

2 Comments

  • Maria da Penha Silva disse:

    Bom dia amiga, lindo texto…posso compartilhar???

  • Daisy disse:

    Sônia Andrade
    >> Muito lindas, a batata doce e sua doçura!!

    Glória Lucas
    >> Lindo o texto! E a planta ficou linda no vaso!

    Sandra Loureiro
    >> Daisy: a cada dia, suas crônicas me tocam mais… O sexto parágrafo então… O final dele… de “a exuberância e a beleza … seja esse outro quem for”, para mim foi o ápice da beleza da crônica. Ali vc conseguiu exprimir tudo… o que sinto tb, ao ver plantas e animais lutando pela vida! Ė…nossa sensibilidade se aguça ,dia a dia ,com o passar dos anos!!!!!!

    Maria Martha Correia de Serqueira
    >> lindo

    Jeanette Serqueira
    >> Amei, esta sua confabulação com a batata doce. Aliás, ficou lindo o arranjo. Nota 10.

    Sara Lowe
    >> Que lindo texto!

    Moema Ribas Sampaio
    >> Linda história da batata, a energia do amor voltou para vc como uma benção

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