Beleza na Cicatriz

A arte japonesa tem uma técnica chamada Kintsugi, que consiste em reparar uma peça quebrada, e vivificá-la.

Enquanto se fala de cerâmica, vidro, ou qualquer coisa material, fica fácil entender e aceitar, no caso entram conceitos como reaproveitamento, economia, dar sobrevida a objetos e por aí vai.

E quando se fala de relacionamentos? Será possível reparar um relacionamento “quebrado”? Tipo de pergunta que deve ser feita a adivinho, profeta, astrólogo, sei eu mais a quem… Só que, como gosto de dar palpite em tudo, vou manifestar meu pensamento, e se você não concordar, é só dizer.

Difícil, muito difícil, mas possível, já vi acontecer. E invoquei o Kintsugi porque é literalmente a expressão da situação. Ter resiliência e aceitar o imperfeito, em qualquer situação, seja material ou não, é a filosofia Kintsugi. Os praticantes desta arte acham beleza nas cicatrizes dos objetos e até nas cicatrizes da vida.

Mas eu, cá do meu cantinho, acho que, diante de algumas situações é impossível ressignificar , encontrar nova vida.

Para cerâmica, eu acho incrível, como na minha peça que você vê lá em cima.

Mas… Cicatrizes marcam abraços, quando são cicatrizes no coração.