Conversando com Daisy Lucas – Caetano Maia

 

Entrevistado: Caetano Maia

1- Seu nome é CAETANO. Você gosta de ser chamado por este nome, ou tem algum apelido que goste e que possa confessar em público?

Meu bisavô materno veio da Itália, Gaetano Tárcia. Eram gaetanos aqueles naturais de uma ilha chamada Gaeta, costa da Itália. Abrasileirou pra Caetano, foi assim que aprendi. Era um nome difícil para uma criança, diferente, gerava brincadeiras, implicâncias por ser um nome incomum. E acho que até por isso, por ter um nome único, nunca tive um apelido de verdade. Nada pegou (rs).

Daisy – Linda a região dos seus antepassados, no Lazio.

2- Compartilhe conosco os dois momentos mais importantes da sua vida até agora.

O primeiro filho, é o que me vem a cabeça primeiro. As mulheres talvez não compreendam isso, mas nós homens somos meio atrasados para as coisas práticas da vida. Quando você, homem, pega seu neném no colo pela primeira vez na maternidade, é que sente o tamanho do que é de ser um pai. Até então era apenas a sua mulher quem estava grávida e ranzinza (rs). É mágica essa passagem de ser um filho para ser um pai.

Daisy – Muita sensibilidade sua, legal esse registro do momento em que o homem deixa de ser espectador e vira astro junto com sua estrela, gostei. E o segundo momento?

O segundo momento é triste, um meu empreendimento, uma empresa mal sucedida que destruiu minha vida e sonhos alguns anos atrás, com implicações financeiras e psicológicas devastadoras e muito doloridas. Dizem que a gente faz planos e Deus dá risadas, e é verdade. A ideologia do empreendedor foi disseminada na minha geração como se aqui fôssemos os Estados Unidos da América do Norte. A realidade é bem outra: um país cruel, eminentemente arrecadador, onde um pequeno empresário é tratado como lixo pelo Estado e pelo capital, e escorchado pela legislação e regras estúpidas. Você luta de sol a sol, cria empregos do nada, apenas com sua força de vontade, trabalha e trabalha, e depois é destruído na justiça do trabalho, nos impostos e taxas, nas mil fiscalizações diversas, na concorrência desleal com as grandes empresas ou dos negócios informais. Você persiste, pois foi ensinado que deve lutar, ser honesto e trabalhador, que tudo vai dar certo. Nenhum apoio, nenhuma segurança, você enquanto pequeno empresário é acuado todo o tempo pela prefeitura, pelo estado, pela federação e pelo empregado, enquanto luta com o mercado onde atua. Coisa para poucos heróis. Um país onde todo o capital está concentrado na máquina estatal, em suas esferas federal, estadual e municipal. A mortandade de empresas no Brasil é algo inacreditável, a última vez que vi esses dados, das empresas nascidas brasileiras 90% morriam em dois anos, 95% em cinco anos. Os juros estratosféricos funcionam como um portão fechado que te impede de prosseguir em qualquer empreendimento. Quem não tem herança de capital familiar está fadado a nunca ter. Parece que estamos “montados, estruturados” para a usura e para o funcionalismo público. Anote o que vou te dizer: só sobrevive no Brasil o empresário que encontra contratos estatais em seu caminho. Sem algum contrato com o Estado, ele está morto. Ai vem o inevitável, a falência. É inacreditável quando tudo dá errado e você cai. A solidão e a devastação, a desesperança. Perder tudo. Alimentar filhos com macarrão com catchup durante semanas. Compreender que a velha máxima de que o esforço e o trabalho duro e honesto sempre compensam é balela. Não ter certeza de mais nada. E descobrir que seu mundo acaba mas você continua vivo.

Daisy – É isso, o pequeno empresário constrói, tijolo por tijolo e para conseguir pagamento do seu serviço acaba tendo que dar a comissão dos corruptos, ou trabalhar para as grandes empresas – as que corrompem, ou vai à falência. É um circulo vicioso.

3- O que você faz na vida?

Sou o que se chamava webmaster, hoje profissional de TI. Sou bacharel em comunicação social com pós em gestão de empresas, especializado em web. Cuido de uma carteira limitada de clientes, criando, implantando, atualizando, propagando sua presença virtual por toda a web. São sites, lojas virtuais, imobiliárias e sistemas de TI, onde a comunicação dirigida e as estruturas de presença online são minha responsabilidade.

4- Por que se decidiu por essa atividade?

Derivei para a tecnologia por acaso. Levava jeito pra coisa creio. Nos anos 90 fui escalado para ser o responsável por informatizar uma empresa de economia mista da Prefeitura de BH, recebi cursos e treinamento. Depois veio a internet, e a word wide web. Começamos a colocar os negócios e as empresas online. Hoje faço a gestão de websites, os mais diversos.

5- Além disso, existe alguma outra atividade à qual você gostaria de se dedicar?

Existe um impulso atávico qualquer que me faz gostar e sonhar com sítios e fazendas, plantações e criações animais. Mas acho que não mais, deverá ficar na fantasia mesmo (rs). Natureza é bacana mesmo é na TV…

Daisy – É, fazendas são como neve, (rs) na foto são uma beleza, mas vai lá na hora em que começam a “derreter”…

6- Você tem algum hobby? Por que classifica isto como hobby?

Classifico como hobby qualquer coisa que fazemos por fazer, por prazer apenas, sem objetivos claros. Tenho o motociclismo desde criança, sempre tive uma motocicleta por perto. Proporcionam momentos únicos de prazer dentro do seu capacete, homem e máquina, só quem se arrisca sobre duas rodas sabe o que é isso. E a costura manual (rs) – adoro linha e agulha e o que podemos fazer com elas, faço todas as bainhas das calças da família (rs). Distração e prazer. Viagem nas estradas em duas rodas, viagem mental ao costurar (rs).

Daisy – Ah, é por isso que vive “costurando” meus textos… (rs)

7- Se você tivesse por um dia o Poder do Trump o que faria nessas 24 horas?

Tentaria começar o que é impossível hoje: formatar uma nova sociedade mundial, que procura abandonar a busca pela vantagem pessoal, que abandona a usura, o enriquecimento individual, em prol de algo mais simples, igualitário, coletivo. Um novo formato de civilização. Precisaremos, em algum ponto no futuro breve, encontrar esse novo jeito de viver. Uma espécie de vida romântica pré-industrial construída sobre a tecnologia atual. Viver precisa ter sentido, de alguma forma. Nossa sociedade ocidental já viveu pra subsistir apenas. Já viveu pra a crença em um Deus. Agora vive apenas para o consumo. Quero essa próxima fase, onde viveremos para… ainda não sei.

Mas já disse: sou voluntário para ter meu cérebro inteiro carregado para um computador, num mundo virtual. Quem sabe Matrix não será o nosso futuro?

Daisy – de certa forma já vivemos muita situação do Matrix – a manipulação que o marketing , quero dizer o marketing de má qualidade pratica, e a obsessão pela perfeição do corpo, que oportuniza a existência de doutores Bumbum, já é um começo. Esperemos que não prospere porque seria o pior lado do desenvolvimento da tecnologia, virarmos todos uns robozinhos comandados.

8- Qual a pergunta que você gostaria que eu tivesse feito e não fiz? Pois então, pode respondê-la.

Sobre tecnologia, para onde se caminha nessa esfera. É algo que me fascina desde sempre. A quantidade de inovações por minuto hoje é inacreditável. Mas todo o foco dessa atual revolução de mundo virtual está em monetizar tudo e qualquer coisa. Empresas como o Google se esmeram em aplicar na nossa sociedade a antiga técnica de venda do traficante de drogas: oferece de graça uma coisa bacana, diferente, interessante, que supre uma sua necessidade que você nem sabia que tinha, e você passa a depender daquilo para viver. Algum tempo depois te diz que agora você precisa pagar para continuar tendo… Não faço julgamento de valor aqui, apenas aponto um fato.

É certo que no nosso modelo atual as empresas precisam se financiar, buscar lucro, mas isso não pode ser o único objetivo. A dívida social da tecnologia talvez seja a maior de todas, por sua capacidade de alterar completamente e de vez a nossa realidade. Tudo o que somos e conhecemos hoje, cada detalhe, cada profissão, cada trabalho, cada formação acadêmica, cada processo produtivo, tudo está em cheque. Tudo pode simplesmente deixar de existir e ser substituído por um soft ou hardware. É provável que em 20 anos não reconheçamos mais o mundo em que vivemos. Hoje já é assim, nossas crianças não compreendem como eu e você vivemos sem um computador ou smartphone. Ok, mas o ponto é: quem está capitaneando isso, e quais são os objetivos buscados? O que está traçado, e quem está traçando? A qual conjunto de interesses servimos de verdade? São perguntas que ainda não estão sendo feitas pela sociedade, mas das respostas a elas depende o nosso futuro enquanto seres humanos.

Daisy – É…, o Steve Jobs queria que o celular fosse o Terceiro Olho, mas ele passou mesmo a ser a terceira orelha.

9- Tem alguma mensagem que queira enviar e que acha que pode ajudar pessoas?

Parar um pouco para pensar no nosso futuro talvez. Pra onde está dirigindo seus filhos? Profissão, forma de pensar, valores, objetivos. Você está atento ao que vai ser a vida comum brasileira ali adiante? No Brasil de hoje a falta de caráter e valores morais, ou a ausência da simples noção de pátria ou nação dos nossos governantes produziu um fenômeno estranho e peculiar, onde estamos todos perdidos, sem saber direito o que fazer. A quem serve essa confusão social generalizada que enfrentamos hoje? Você, eu, vamos ganhar ou perder logo ali na frente? Com toda essa massa de informação, com a fragmentação de ideias, com a capilaridade dos novos agrupamentos nas redes sociais, sobreveio foi o caos. Mas esse caos não é um acaso, e sim é algo orquestrado. E quem reina no caos não se interessa por bem estar social, por escola, saúde e transporte públicos de qualidade. A gente comum precisa encontrar uma forma de se fazer prevalecer, com as ferramentas que tem, e se proteger.

Daisy – Outubro está chegando… Boa chance pra dar uma revirada nesse drama, não é?

10- Caetano, por favor, use o espaço para divulgar as coisas que produz.

Faço e cuido de sites, lojas virtuais, redes sociais e mídia digital. Tenho parceiros profissionais em várias áreas correlatas aqui. Por mais comuns que essas coisas pareçam ser, a realidade é que o mundo virtual está cheio de armadilhas, golpes e caça-níqueis inúteis. Quem deseja ou precisa ter sua presença virtual de uma forma correta, ortodoxa e eficaz, com um custo baixo, pode conhecer nosso trabalho em www.gentequepensa.com.br. Fico à disposição, obrigado.

Daisy – Caetano Maia, trabalhamos em parceria quase dois anos e eu só tenho que louvar sua competência, sua capacidade de trabalhar em parceria.

Ah, e recomendar a quem quiser ter um site bem elaborado, com criatividade e cuidado, vai lá no Gente que Pensa.

MUITO OBRIGADA
Daisy Lucas

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