Por Essa Eu Não Esperava

Não se iluda pela imagem, não vou escrever sobre louças, ambientes refinados, muito menos sobre gastronomia, vou escrever sobre algo menos tangível, porque não dizer, algo nada concreto como é uma louça, um guardanapo, uma mesa bem arrumada.

O assunto me chegou de repente quando conversava com amigos. Falávamos sobre o trivial do momento: isolamento, distanciamento, os meios que encontramos para superar a solidão, e por aí vai. Até que um deles disse que uma das grandes frustrações que estava enfrentando é que não se preparava mais para um jantar. Falou com um jeito muito preocupado, voz grave e lenta, olhar meio perdido. O Zoom até ficou cinza, com sua expressão de tristeza. Ora, ficamos todos bem surpresos, pois esta pessoa é de uma simpatia contagiante, vivacidade ímpar. Sabe aquela pessoa que sempre anima a festa, a reunião, que quando está presente o assunto não acaba, não existem hiatos de silêncio? Esta pessoa é assim.

Nós, amigos, começamos a fazer mil e uma perguntas para identificar exatamente o motivo da tal frustração, já que nós combinamos desde o início dessa coisa toda que caso algum de nós se sentisse “solitário e triste”, que pedisse socorro ao grupo pelo Zap, Zoom ou qualquer meio disponível. Sim, o assunto rolou até que alguém sugeriu – talvez na brincadeira, que fizéssemos um jantar no fim de semana. E que se usasse traje chique, de festa, com direito a desfile e tudo (esses meus amigos quando estão juntos parecem que voltam ao passado adolescente).

A resposta? – Não, não é a mesma coisa…

As tentativas de descobrirmos o por que de “não ser a mesma coisa” foram inúmeras, e ele não cedia, não revelava. Até que alguém deu um tiro no escuro, “mas o preparo não é de mesa, de roupa, de ambiente?”

Não era.

Acredite, que depois de quase cinco anos de existência deste grupo de amigos, descobrimos que nosso amigo “se preparava” para nossos encontros.

Como? Escolhia assuntos, selecionava piadas, tentava descobrir acontecimentos diferentes, e coisa e tal.

Bom, num primeiro instante a reação foi de risada geral, até que notamos como ele levava a sério a história. Entendemos a atenção que ele nos dispensa, e o assunto mudou para:

“A responsabilidade de fazer o outro feliz.”

Por esta, confesso, não esperava, é coisa nova para mim. Talvez eu tenha ficado um pouco decepcionada por notar que não havia espontaneidade total naquela simpatia, embora a preocupação de levar às pessoas temas que as fizessem felizes tenha me emocionado. Mas que achei bizarro, isso achei, viu, amigo?

# Vacinando todomundo, por favor.
# Um dia isso passa, calmaí.

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