Se Conselho fosse Bom…

Numa de minhas andanças literárias recebi uma pergunta de um adolescente, rapaz de mais ou menos dezoito anos. “Quero ser escritor, o que você me aconselha? Devo tentar? Vale a pena ser escritor?

Não houve tempo para responder no próprio evento, mas eis que, pelo Facebook o mineiro Carlos Henrique retornou, cobrando resposta.

Eita perguntinha difícil. E tão difícil que fiquei uns dois meses pensando se deveria responder somente a ele, ou escrever sobre.

E lá vai minha resposta.

Meu caro jovem…

Se você vai começar a escrever por crer que ficará famoso em dois tempos, de cara eu lhe digo que procure outra atividade, vai fazer letra de Funk, por exemplo.

Mas, se você escreve por absoluta necessidade de expressão, aí a conversa é outra.

Para começar, eu lhe digo que atenda à sua necessidade, porque o verdadeiro escriba tem sim, necessidade de escrever. Não escreve por obrigação, não escreve para aparecer, mas escreve porque sabe, de alguma forma sabe, que tem algo a dizer. Sabe que pode contribuir com algo, pode dar um pequeno prazer a quem lhe der o crédito de ler seu texto e, quem sabe, até aproveitar alguma ideia do que está lendo.

Se eu lhe pudesse fazer alguma recomendação, eu lhe diria: Leia tudo o que lhe vier às mãos, inicialmente sem muita escolha. Observe a forma, onde estão as vírgulas, as paradas, leia em voz alta, perceba o ritmo do que está lendo. Note se existe alguma diferença entre o que leu antes e o que lê agora. Identifique o tipo de texto cuja leitura lhe dá mais prazer: ficção? Ensaio? Poesia?

Não tenha pressa, e preste atenção a tudo e a todos. Tive um professor que me disse um dia: “Seja sempre sincera, desde que não tenha um escritor por perto, pode ser perigoso, ocidadão pode te tornar um personagem.”

É isso mesmo, quem tem o talento, ou a vocação, vai estar sempre antenado e fatos que passam como rotineiros para alguns, para um escriba pode ter enorme significado.

Acima de tudo, seja humilde, agradeça a quem te der o privilégio de conceder um tempo da vida para ler o que você escreve. E treine, treine, treine.

Não se espante se notar em um de seus textos que estava mandando um recado para você mesmo, isto acontece às vezes.

E escolha se quer fazer de seu texto uma arma ou um carinho, sempre se pode escolher.

Não tenha medo de se expor, os medrosos não passam da página dois. Aceite críticas, cresça com elas, é bom que as leia atentamente e melhore, aprimore.

No mais, eu lhe desejo muito sucesso, e que tenha em mente que o sucesso pode ser apenas alguém que acredita em você, e tanto, que lhe escreve pedindo um conselho.

Está aí o que eu penso. Mas devo acrescentar que ponha a sua marca em tudo que eu lhe disse agora.

E lembre-se do ditado: Conselho, se fosse bom, não se dava, se vendia.

Só que não. A você, o meu abraço, e a minha gratidão.

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