A Árvore da Vida

Época boa para refletirmos sobre o que estamos fazendo por aqui, nesse mundão que não sabemos ao certo como foi o começo, e menos ainda podemos imaginar como será seu fim. Isso, se fim houver, porque para muitos, “o mundo acaba é para quem morre”.

Acho muito bizarro quando, naqueles papos – cabeça “de onde vim, para onde vou e o que estou fazendo aqui”, ouço pessoas dizerem “Pois eu vim a passeio”.

Como assim?

Independentemente de qualquer conceito religioso, eu tenho certeza que vim para muitas outras coisas, o passeio fica mesmo para os momentos de curtição, nunca como objetivo da viagem.

Sem dúvida o motivo principal dessa estadia para mim é aprender, isso eu digo e repito sem a menor dúvida, pois é o que me acontece todo santo dia. Aliás, penso que as pessoas que se permitem a vida plena percebem que essa plenitude só se consegue atingir quando aceitamos nossa condição de aprendizes. Quando, humildemente entendemos que nossa vida começou muito antes que a percebêssemos… começou lá atrás, com nossos antepassados, melhor ainda, com nossos ancestrais.

Quando, cheios de Gratidão, agradecemos a eles, que nos precederam, a nossa própria vida… se não fossem eles, não estaríamos aqui. Certamente de alguma forma temos acesso à sabedoria que acumularam; de alguma forma conhecimentos e experiências são transmitidos de família a família.

Nosso nascer talvez seja pura formalidade para preencher um lugar vazio, um galho a mais numa árvore que precisava de mais galhos para sustentar mais frutos.

Muitas vezes, deixam esses antepassados, pistas de que pertencemos à mesma árvore… a cor de olhos, um jeito de sorrir, um modo de andar… não é à toa que se chama árvore genealógica a forma de apresentar o histórico de parte de antepassados de uma família.

E é para os meus Antepassados que escrevo hoje, às vésperas do dia 2 de novembro que não chamo mais de Dia dos Mortos, porque na verdade eles estão “vivos”, só que numa outra dimensão, no mundo espiritual. Acredito nisso, acredito mesmo.

E por acreditar não faço do 2 de novembro um dia de lamentação. Ao contrário, é um dia de louvação aos que me precederam, muitos dos quais fizeram grandes sacrifícios para que eu tenha hoje melhores condições de vida do que tiveram. É um dia de Gratidão, um dia de sentir a saudade boa, aquela que relembra os momentos mais importantes, ou os mais alegres, ou os mais felizes.

É um dia em que faço orações para que eu mesma possa contribuir com a história das minhas linhagens, me tornando tronco firme e robusto para fazer com que a minha árvore seja cada dia mais frondosa, e que possa oferecer mais frutos e mais sombra aos que passarem por nós.

Que o Dia dos Antepassados lhe traga boas lembranças, caro leitor.

#sem lamentos, mas ainda de máscara, ainda!

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