Corpo & Alma

Um dos episódios mais chocantes do noticiário na semana anterior foi a história de médicos que aplicam aleatoriamente substâncias em suas pacientes sem ao menos tomar a precaução necessária quanto à vida da pessoa.

Examinando o fato como espectadora que sou, fica difícil entender algumas coisas: por que uma pessoa faz um curso de mais de seis anos, para colocar todo seu futuro em risco, se tem como utilizar o recurso de forma adequada? Muitas outras questões me veem à cabeça, mas além desta, a mais importante é: como as pessoas confiam de olhos fechados e nem percebem que estão colocando sua vida em risco?

Um tempo atrás, os nomes que chegavam ao nosso conhecimento como tendo passado por tais procedimentos eram de pessoas que, praticamente, usam sua imagem como ferramenta de trabalho, ou seja; pessoas que precisam aparentar juventude, ou que tenham rostos e corpos bons para “saírem na foto”… Enfim, uns anos atrás dificilmente veríamos pessoas comuns, e aí eu quero dizer que pessoas comuns são que podem se dar ao direito de terem sua ruguinhas, suas gordurinhas, porque a profissão não lhe exige o contrário, a isto estou chamando de ‘normalidade”.

Só que a “normalidade” hoje, está em grande parte botocada, metacrilada, não importando mais idade, sexo, e muito menos capacidade financeira para pagar um procedimento desses, porque em cada esquina (modo de dizer, né?) encontra oferta em um salão de beleza, um consultório, uma clínica estética. Dando uma rápida pesquisada, verificamos preços que variam de três mil reais a vinte mil reais para o mesmo procedimento. Aparentemente, só mudam o nome do profissional que vai “cometer” o procedimento, e o endereço; o material do qual fazem propaganda é o mesmo. Endereço nobre paga mais caro.

Não estou querendo fazer campanha nem desmerecer o trabalho de ninguém e muito menos censurar que as pessoas tenham o desejo de perpetuar seus traços de juventude ou melhorar sua beleza. Estou, sim, querendo apontar o dedo acusador para a desconexão que campeia entre nós. Pessoas que sentem tanta necessidade de serem quem não são, que fecham os olhos para a saúde, para sua segurança, e muitas vezes até para o bom gosto porque, por favor, entupir a nádega de 800 ml de metacryl…

O momento, portanto, me parece ótimo para uma reflexão: não sobre a desonestidade óbvia de profissionais desonestos, ávidos pela fama das redes sociais, e pela grana dos desavisados.

Temos que ressaltar, sim, é o prejuízo que eles causam aos bons profissionais, aqueles que praticam a atividade por estarem habilitados para tanto e que, exatamente por estarem preparados, não admitem ser manipulados para conseguirem resultados grotescos e também não colocarão conscientemente vidas em risco.

Li e ouvi algumas opiniões que colocam a conta na futilidade, na superficialidade. Acho pouco, eu colocaria a conta na desconexão entre o mundo real e o do desejo, o da mídia, o da propaganda, o do virtual.

E temos que lamentar que pessoas se desconctem do maior valor que têm na vida, que á a própria vida, e trocam sua segurança por uma imagem mais bacaninha, que recebam mais “likes”.

E fico pensando que esses corpos são apenas corpos. Corpos sem alma.

2 comentários

  • Denise Oliveira Peon disse:

    As pessoas perdem a noção! Arriscam estes procedimentos em busca da beleza e se dão mal,infelizmente é o que estamos vendo:pessoas inescrupulosas aproveitando este desejo!!!

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