Estrela da Festa

Na crônica anterior eu falei sobre a diferença entre as culturas oriental e ocidental. Volto ao assunto com foco nos relacionamentos.

Quando estive no Japão, o distanciamento entre as pessoas a princípio me chocou. Cumprimentos sempre se davam pelo olhar, pela reverência e pouquíssimas vezes com aperto de mãos. Isso acontecia em qualquer ambiente: nas ruas, nas empresas, na universidade – entre colegas e colegas, professores e professores, colegas e professores, e por aí vai.

Eu disse a princípio. Por que a princípio?

Ah, porque, com o correr dos dias, o choque foi perdendo impacto, percebi que aquele distanciamento não era impeditivo de se fazer amizade, ou camaradagem. Não era obstáculo a que depois do expediente ou das aulas, as pessoas fossem brindar e rir com alegria, contando piadas e histórias. E fazendo amigos.

De volta para o passado… Sim, atualmente estou me sentindo como me senti, anos atrás, no Japão, só que não mais assistindo Seminários de Gestão da Qualidade, sofrendo com o jet lag e com a temporada de terremotos.

Pois é, para quem não sabe, o Japão é um dos países que está no chamado “Anel de Fogo”, espécie de arco de fendas oceânicas e vulcões localizado na base do Pacífico, e que produz cerca de 20% dos terremotos do mundo.

Bom, hoje não tem mais jet lag e pelo andar da carruagem vai custar a acontecer porque viagens para outros países não estão nos meus planos tão cedo.

Hoje não assisto Seminário de Gestão da Qualidade, mas tenho que produzir meu próprio seminário de Gestão da Vida, pensando e repensando distanciamento, calculando até que ponto representa risco ir aos lugares, de quem eu posso estar perto e quem ameaça minha saúde, enfim…, gestão mesmo.

GESTÃO DE VIDA, eis o que temos a fazer agora.

É… o jet lag não me incomoda, nem o medo dos terremotos, porque, simplesmente estou no meio desse terremoto que está tocando terror no mundo inteiro. E que está mudando hábitos consagrados ao longo do tempo.

Sim, o “beijinho, beijinho” tão brasileiro, o abraço apertado tipo encontro de corações, JÁ ERA!

Agora, a “estrela da festa” é o cotovelo. Ele mesmo, o cotovelo tomou lugar dos beijos e dos abraços, o encontro de corações tem que acontecer na intenção, porque cotovelo não tem palpitação, por enquanto foi-se o “bate-bate” dos corações.

Beijinho? Nem dos netinhos…

Beijinho, beijinho? Hum…. tchau tchau!

# que essas vacinas que estão chegando nos tragam um pouco de segurança, porque segurança total… sei não
# de qualquer modo, segure a sua onda pra conseguir chegar até a praia.

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